Sexta, Setembro 10, 2010
   
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Zaid - Direto do Maranhão

História da conversão da renomada Advogada

Colunas - Zaid - Direto do Maranhão

Em Nome de Allah, o Misericordioso, o Misericordiador!

Alguma vez na vida você já teve que ir em um compromisso num lugar desconhecido, e, ao se dirigir para esse local você se perde, ficando desesperado para encontrar o endereço certo, porque o tempo é crucial para aquele compromisso? Então, você pára, pede informações, anda mais um pouco e... nada! Volta para o local em que estava, encontra novas pessoas, pára e pede informações novamente, caminha na direção que aquelas pessoas indicaram, mas não encontra o tal endereço. Nesse momento, você fica desesperado, porque o tempo voa, você tem hora marcada, o compromisso não espera e, você se encontra, literalmente, perdido.

É assim que eu me sentia: perdida LITERALMENTE!

Uso este exemplo no sentido figurado pra poder expressar o quanto é terrível ficarmos perdidos, apreensivos para encontrarmos o caminho correto.

Várias vezes na minha vida, eu me vi como no exemplo acima, perdida, nada satisfazia completamente: trabalho, amigos, namoro, festas, era muito bom! Mas quando retornava pra casa: um vazio! Eu não sabia o que estava faltando pra mim.

Procurando o ‘endereço correto’ eu, sendo católica desde que me entendo por gente, comecei a freqüentar, ora com minha mãe, ora com minha irmã e até com amigas, algumas igrejas... fui do cristianismo ao budismo, por assim dizer.

Nas igrejas que freqüentamos, eu me lembro das gritarias, das orações fervorosas, de quando colocam a mão na sua testa ou na sua cabeça, dizendo coisas suas do teu futuro ou do teu passado, algumas certas, outras errada. O fato é que saía de lá disposta a não voltar.

Freqüentamos, também, algumas igrejas nada convencionais, diga-se de passagem, onde tudo era muito quieto, tinha massagens, uns chás (sem açúcar), conselheiras, muito zen mesmo! Ainda hoje não sei se era bem uma religião ou uma seita, não sei se a adoração era para Deus ou para aquele quem tinha fundado aquela religião.

De uma coisa tinha certeza: aquilo não era o que eu estava procurando, não era a coisa certa nem de longe.

Depois disso eu larguei tudo e continuei indo, esporadicamente, na igreja (católica). E, mesmo assim, eu sempre achava que aquilo tudo ou era de mais ou era de menos pra mim.

A convite de uma amiga da minha mãe comecei a freqüentar uma comunidade formada por jovens da igreja católica. Excelente! Fiquei por um bom tempo, mas quando você tem muitos para quem rezar, você acaba cansando. Quero dizer, eu gostava porque tinha toda a parte de adoração a Deus, o que eu achava (e, ainda, acho) maravilhoso. Fazia com o coração. Mas, para continuar ali, eu tinha que continuar devendo respeito e culto aos santos e à algumas pessoas que se comparavam a Deus. Isso eu não gostava.

Aí deixei de ir, até o ponto de não freqüentar nada por um longo tempo.

Mas o teu corpo e o teu espírito pedem, te diz que tem alguma coisa faltando. É quando você tem a absoluta certeza de que não somos completos e nem felizes sem Deus e que precisamos de uma religião, de uma base.

Então, com minha irmã, comecei a freqüentar uma igreja evangélica, mas não era pra mim, eu até tentei por um tempo, mas alguma coisa estava errada.

Nesse tempo, acreditava firme que, sendo Deus, Jesus e Espírito Santo Um só, eu tinha que chegar ao filho (Jesus), para com a ajuda do Espírito Santo, alcançar o Pai (Deus).

Eu pedia pra Deus me mostrar o caminho certo, porque não tinha mais galho em que eu pudesse confiar a ponto de me segurar, quero dizer, eu não me encaixava em nenhum lugar. Como era possível? Eu pedia a Deus, pra me levar para o caminho certo, porque eu não gostava de nada que tinha achado.

Eu já tinha ouvido falar dos muçulmanos, do Islã, do Alcorão, mas somente o que via pela televisão. De vez em aparecia uma notícia sobre um mulçumano que, em nome de Allah tinha se explodido, aí eu corria na internet e lia a respeito, porque quando você vê os dois lados, é completamente diferente do que só confiar na televisão, é quase a mesma coisa que ler um livro e depois assistir um filme baseado naquele livro: sempre vai faltar um pedaço da história. Então, de vez em quando, eu olhava uma coisa ou outra pela internet.

Eu fiquei quase um ano nessa brincadeirinha: via uma notícia, corria pra pesquisar se era aquilo mesmo, porque se surgisse o assunto, eu já sabia mais ou menos quem defender, o que falar, bem metida a política, rs.

Em 2009 eu realmente comecei a levar a sério, acredito que foi quando minha busca realmente começou, e não somente para entender do assunto, mas pela essência da religião. E, quando penso nisso, vejo que isso aconteceu sem eu me dar conta, naturalmente. Eu não precisava mais de um acontecimento para pesquisar.

Quando fiz 26 anos em novembro de 2009, eu decidi que estava na hora de ver de perto essa religião, ver se aquilo era o que Deus queria pra mim.

Pesquisando, eu encontrei na internet um site com telefone dos mulçumanos aqui em São Luís/MA. Eu levei algumas horas até ter coragem de ligar. Não sei por quê. Talvez por achar que não seja comum você ligar para alguém pedindo para ela lhe explicar o porquê de escolher aquela religião.

Fiquei surpresa porque fui muito bem atendida, algumas dúvidas foram tiradas na mesma hora, gerando outras, foi quando marcaram uma reunião para explicarem melhor.

Eu, toda empolgada, fui, achando seria em uma mesquita (porque já tinha visto as fotos de mesquitas pela internet), com vários mulçumanos... Chegando lá, encontrei umas 4 ou 5 pessoas (homens) que, com todo carinho, respeito e paciência começaram a falar, dedicadamente, sobre o Islã, sobre a submissão deles à Deus, ou melhor, à Allah.

Em casa, com vários livros que tinha recebido de presente (de graça, mesmo), fiquei pensando nessa religião, no amor e na submissão a Deus (a um Deus único, sem associados)... Lógico que, assim como outras religiões, o Islã tem suas condições e suas anulantes, que à primeira vista pode ser algo absurdo, mas se você dedicar algum tempo para estudar, para entender melhor, você consegue compreender e aceitar tudo não como uma obrigação que devemos a uma(s) pessoa(s), mas sim uma obrigação tão somente a Deus.

Não vi nenhuma mesquita ou salas de estudo, o que eu vi, foi pessoas confiantes de estarem no caminho certo, sedentas por mostrarem a todos esse caminho onde você encontra Deus, o verdadeiro Deus, o único Deus.

Nas minhas primeiras ‘aulas’ me mostraram que não há santos, nem intermediários aqui na Terra, você deve orar somente para Deus, adorar somente a Deus, e se submeter somente à Ele, pois Ele mostrou, ensinou tudo o que o homem precisa para viver, para fazer, como fazer, desde orar até a conviver socialmente, das coisas simples da vida, até a mais complicada, dos mistérios que o homem tenta desvendar até dos já desvendados.

Então, eu me senti acolhida, no lugar certo, era a coisa certa, achei o caminho! E, quanto mais eu lia, mais eu pensava quer era aquilo mesmo, que estava certa. E, eu que sempre fui católica, que quase me tornei evangélica, senti que, diante daquilo tudo sempre fui muçulmana e não sabia!

Como todo mundo, passei por problemas pessoais nesse meio tempo, mas não deixei de estudar, pelo contrário, pois quando mais precisamos de ajuda, mas buscamos pela ajuda de Deus. E, eu me agarrei à Ele mais do que nunca. E tudo ocorreu como Ele determinou.

Eu estava decidida e assustada, porque meus maiores medos eram dois: a não aceitação da minha família, que já batia o pé e virava a cara quando a minha busca ainda era somente pelo computar e, o de, de alguma forma, desapontar minha mãe.

Magnífico como Ele é, fez aparecer, na hora Dele, todas as respostas, tirando as dúvidas e o medo do meu coração com uma rapidez que me deixou desarmada. Meu coração ficou cheio de certeza, e você sabe disso quando você não pensa em agradar a ninguém, inclusive você, para querer agradar somente a Deus. Não basta as pessoas te dizerem isso, não basta você saber disso, quando sentimos, sentimos. Não há explicação!

Assim, Testemunhei que não há nada nem ninguém que mereça adoração exceto Deus (ALLAH), testemunhei que Muhammad é o servo e mensageiro (profeta) de Deus (ALLAH). Testemunhei que acredito nos anjos, na existência do inferno e do paraíso e testemunhei que Jesus é filho de Maria e servo de Deus (ALLAH).

Não precisei morrer pra ver minha vida passando diante dos meus olhos, eu vi toda minha vida de católica, de busca, de vazio, minha família, amigos, uma vida velha que daria, aos poucos, lugar para uma nova, como seria difícil e como Allah me facilitaria. E quando dei por mim, estava chorando, porque a ficha caiu: Me converti, nascia de novo, voltei pra Allah, sou muçulmana! Sou muçulmana!

Agora, peço a Allah que me dê perseverança nessa caminhada, paciência com os que não entendem; que Allah me guie, sempre, na senda reta, que me diga o que fazer e/ou dizer ao ser testada, que aumente meu conhecimento, que me livre de todos os tormentos e que abençoe meus irmãos muçulmanos.

Assalamu Aleikum!

 

Caroline Arruda.

 

O Islam na história do Maranhão

Colunas - Zaid - Direto do Maranhão

Salam,
O  Islam tem suas raízes em território Maranhense duma forma óbvia, sendo no período colonial e de tráfico negreiro o principal porto da província, muito se sabe sobre a trama da oligarquia da época de apagar os vestígios históricos da miscigenação destes que aqui vivem, mas o que só poucos livros  contam, nem o maiores homens da história poderiam impedir a história contada e passada viva de pai para filhos nos quilombos da futurística e espacial, hoje, cidade de Alcantara, Viana entre outras onde os traços islâmicos, apesar de se submetido ao esquecimento pelos senhores da época, ressurge como uma flor numa pedra.

Bissmillah

Uma ligação estabelecida pelo tráfico atlântico a partir de meados do século XVIII e capaz de convergir com inúmeros outros fatores na composição do maranhense. O Maranhão não esteve de forma alguma desvinculado das relações com o Atlântico, ao contrário, esteve intimamente ligado a ele. E a partir deste ponto é possível denotar uma importante herança religiosa na formação do Maranhão que desembocara em expressões valorosas para o conjunto da cultura popular do lugar, o tráfico desembocou no Maranhão.

Alguns estudiosos já denominaram o lugar de “Terra Mandinga” (ASSUNÇÃO, 2001), uma alusão à influência de um grupo em especial entre tantos outros grupos étnicos que adentraram a região. Esse grupo da Alta-Guiné, os Mandingas, foi comercializado no Atlântico por outros africanos que entre vários motivos não aceitavam sua religiosidade tradicional. Descendentes de um reino preponderante de séculos atrás com bases islâmicas, eles formaram uma rota de escravos que saía de dois portos na costa da Alta-Guiné e chegavam em São Luís do Maranhão, capital do Estado.

São Luís do Maranhão foi classificado pela historiografia como a quinta localidade no período da independência do Brasil em recebimento de escravos, apesar da tardia adesão à utilização da mão-de-obra escrava negra. Pernambuco e Bahia começaram já durante o século XVI com a utilização do escravo africano como uma das forças produtoras enquanto a província do Maranhão teria dedicado
pequenos investimentos a questão do tráfico, sem abandonar a escravidão indígena, até meados do século XVIII. Foi na realidade, a partir de 1755 que começou o ingresso maciço de escravos africanos, muitos muçulmanos, com a criação da famigerada Companhia de Comércio do Grão-Pará e Maranhão.

Em 1775 a entrada de africanos era intensa e isso pode ser percebido através dos navios que chegaram ao porto da capital do Estado. Das trinta e uma viagens registradas num dos livros de visita de São Luís, capital da província do Estado, no começo da década de 90 – os primeiros três anos – do século XVIII somente dez provinham de algum território do Estado do Brasil enquanto dezoito provinham da Alta-Guiné e um da Costa da Mina. Os livros de visita registravam as condições de saúde das embarcações que intencionavam atracar no porto e destacavam o carregamento do navio. No caso, todas estas embarcações traziam escravos com uma quantidade maior vindos da Alta-Guiné que da Bahia, 2907 e 1013, respectivamente. Isso se dá em parte pela quantidade de embarcações carregadas de escravos vindos de Guiné estarem em maior número que as embarcações vindas do Estado do Brasil e também pelas “brasileiras” serem menores, em geral sumacas, pequenas embarcações de dois mastros, ágeis e adequadas a navegação costeira. A partir do mesmo livro de termos de visita Antonia Mota (2001) conseguiu estabelecer a entrada de 7539 escravos entre os anos de 1790 e 1795 destes 4670 vieram dos portos islamizados de Cacheu e Bissau correspondendo a 61,9% dos africanos que ingressaram no Mali, reino dos Malinkes, era assim um império centralizador com um maquinário administrativo muito forte. Entretanto, sua força maior estava na sua complexidade religiosa que legitimava suas ações políticas e centralizadoras. Com uma das maiores religiões do mundo em sua formação, o islamismo, sedimentou ações de conquista material e espiritual, um dos principais governantes, Sundjata Keita, fez, inclusive, uma peregrinação a Meca.

Entretanto, apesar de poderoso nos quesitos de administração política e, sobretudo, religiosa,os islamizados ocupavam todas as divisões e os animistas moravam numa localidade mais periférica. Contudo, seus imperadores não seguiram o exemplo da administração imperial de Kanka Mansa que fomentou um período de conquistas grandes para o império durante o século XIV, levando a inevitável desagregação e conseqüente desaparecimento.

Por meio da venda de escravos para os portugueses comercializaram africanos Muçulmanos com uma particularidade: ficaram sempre no Maranhao. Apesar de espaços diferentes, com contextos e historicidades específicas, o Emirado de Ilórin e o Kaabu, através dos Dyula, utilizavam os fortes pressupostos da religião islâmica, (assim a própria religião islâmica poderia se difundir e alcançar os ideais de salvação pregados pela sua formação monoteísta) em interesses de consolidação da crença. Contudo, o Emirado de Ilórin não possuía um modelo de organização como a Mansaya capaz de propiciar uma relação entre animismo e islamismo, na realidade o emirado recomendava com ênfase que seus partidários “abominassem os cânticos tradicionais”.

Em São Luís do Maranhão, os livros de Registros Paroquiais da Arquidioceses da época registram uma alta presença do termo Mandinga(Muçulmanos). No livro de óbitos n° 4, (1779 a 1787) a quantidade geral de escravos africanos era muito reduzida, pois uma grande leva ainda estava em processo de chegada à região, enquanto outros já trabalhavam a pouco tempo nas lavouras – a entrada maciça de africanos Muçulmanos se dá a partir de 1755 – e, portanto, o número de mortos existentes aqui é reduzido frente a realidade de escravos africanos muçulmanos dentro do território maranhense. Portanto, é inegável a presença Malinké no Maranhão durante o século XVIII. O difícil, na realidade, é quantificá-los em virtude da documentação limitada. Eles estavam na província do Estado do Maranhão e Piauí, uma leva considerável de mandingas animistas.

Flávio Gomes, numa pesquisa recente financiada pelo CNPq e ainda em processo de organização dos dados no período de final do século XVIII até 1880 nos inventários do arquivo do tribunal, revela que dos 2786 africanos relacionados 634 são Angolas, o segundo grupo preponderante são os Mandingas com 419 e o terceiro são os Minas com 283. A presença Mandinga é inquestionável. A influência animista, poderia ser?

Parece-me aceitável acreditar que existiu certo poder animista deste imenso grupo étnico na formação do Maranhão.Herdeiros de uma estrutura social e política forte e bem organizada foram mandados para o Maranhão após a decadência do império que faziam parte, por uma antiga possessão do Mali. Entre os motivos de terem sido comercializados destaca-se uma causa religiosa território maranhense.

Fontes:
Insurreição de escravos em Viana 1867 – Mundinha Araújo
Ina a violação do sagrado – Mario lincon
Anais da História do Estado do Maranhão – Bernardo Pereira de Berredo
História do Maranhão – Mario M. Meireles
História do Maranhão - A Colônia – Carlos Lima
Dicionário Histórico Geográfico da província do Maranhão – César Augusto Marques


SubhānakAllāhumma wa bihamdika ash-hadu an lā ilāha illā anta astaghfiruka wa atūbu ilayka.

Quão perfeito és Tu, ó Allah, e a Ti eu louvo. Testemunho que não há divindade digna de adoração além de Ti. Eu peço Teu perdão e me volto para Ti arrependido.


Zaid Mohammad Abdul-Rahman Duarte (nascido Marcos Mário Duarte) a 08 de Maio De 1974 convertido há 13 anos, nascido e criado na cidade Ilha de São Luis do Maranhão, Consultor Halal, Idealizador, Fundador, Vice-Presidente e Emir da Sociedade Islâmica do Maranhão. Para falar com o autor, envie um e-mail para Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.

 

   

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