Afeganistão: Gigantesca fuga de informação do exército dos EUA
Notícias - Internacionais

Arquivos secretos norte-americanos provam que centenas de civis foram mortos pelas tropas da OTAN e revelam que os EUA criaram uma força especial para “matar ou capturar”.
Numa das maiores fugas de informação na história do exército estadunidense, foram disponibilizados aos jornais Guardian, New York Times e Der Spiegel mais de 90.000 documentos colocados online no site wikileaks.org.
Os documentos são relatórios de incidentes e de segurança no período de Janeiro de 2004 a Dezembro de 2009 e revelam que centenas de civis foram mortos em mais de 140 incidentes, que as tropas da OTAN têm negado.
Segundo o Guardian, têm também aumentado constantemente os ataques com aviões não tripulados (drones), a partir de uma base norte-americana instalada no Estado do Nevada.
Pela primeira vez, é conhecido que o exército dos EUA criou uma força especial (Task Force 373), cujas unidades de “caçadores” têm como missão prender ou matar líderes da insurreição afegã sem julgamento.
Os relatórios também deixam claro que os ataques dos taliban às tropas de ocupação têm aumentado.
Os jornais revelam ainda que os EUA encobriram que os taliban adquiriram mísseis aéreos e que os comandos norte-americanos desconfiam de que a polícia secreta do Paquistão tem ajudado os taliban.
Confrontada com esta enorme fuga de informações e com a situação no Afeganistão, a Casa Branca salienta que a situação refletida nos relatórios agora conhecidos é o resultado da gestão anterior a Obama: “É importante notar que o período de tempo refletido nos documentos é de Janeiro de 2004 a Dezembro de 2009”, diz uma nota do governo dos EUA.
A nota também condena a divulgação dos documentos: “Condenamos fortemente a revelação de informação confidencial por indivíduos e organizações, que põe a vida de membros norte-americanos e parceiros de serviço em risco, e ameaça a nossa segurança nacional".
Site especializado em documentos secretos divulgou as informações
25 de julho de 2010 - 05:00 EST
WikiLeaks lançou um documento conjunto chamado Diário da Guerra do Afeganistão, um compêndio extraordinário de mais de 91 mil relatórios que cobrem a guerra no Afeganistão 2004-2010.
Os relatórios, embora escritos por soldados e oficiais da inteligência e, principalmente, descrevendo as ações militares letais envolvendo os Estados Unidos, também incluem informações de inteligência, relatórios de encontros com personalidades políticas e detalhes relacionados.
A coleção de documentos está disponível em uma página específica.
Os relatórios abrangem a maioria das unidades do Exército E.U.A., com exceção das atividades das Forças Especiais.
Segundo os editores do WikiLeaks, "retiramos cerca de 15.000 relatórios do total de arquivo como parte de um processo de minimização de danos exigidos pela nossa fonte. Após nova análise, esses relatórios serão publicados, com redações ocasionais e, finalmente, na íntegra, como a situação da segurança no Afeganistão".
Os dados são fornecidos no formato HTML (web), CSV (valores separados por vírgulas) e SQL (banco de dados), e foi proferida em KML (Keyhole Markup Language) os dados de mapeamento que podem ser usados com o Google Earth.
Para conhecer os documentos, acesse http://wikileaks.org
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