Al-Andaluz, ”terra dos vândalos”, em árabe, assim é conhecida a região da península ibérica ocupada pelos muçulmanos, a partir do século VIII até ao final do século XV, e que chegou a compreender grande parte do território espanhol.

A extensão do estado islâmico na região conhecida por al-Andaluz, sofreu alterações no decorrer do tempo, pois, à medida em que se modificavam as fronteiras, tanto hispano-muçulmanos como castelano-aragoneses avançavam conquistando território.

O processo de expansão do Islam, em seus primórdios, tomou a direção do ocidente: Magrebe, Espanha e parte da Itália e França. Durante o século VIII, vindos do norte da África, uma série de grupos e famílias nobres árabes oriundas do oriente, e de grupos bérberes procedentes do Magrebe, pouco a pouco foram se assentando em terras andaluzas.

Este processo, no entanto, não significou a ruptura com a cultura então reinante, pelo contrário, ambas se imbricaram, dando um resultado muito peculiar e deslumbrante, e que diferenciou, de forma bem característica, o Islam ocidental do oriental. A fusão entre os árabo-bérberes e os hispano-godos deu-se com muita naturalidade.

Durante a segunda metade do século VIII, começaram as dissenções no império muçulmano. O fim da dinastia omíada em Damasco, e a ascensão dos abássidas em Bagdá, mudaria o rumo dos acontecimentos.

A revolução abássida de 750, destruiu o poder omíada em quase todo o mundo muçulmano. Durante a revolução, Abdul Rahman, neto de um ex-califa omíada, conseguiu escapar de Damasco para a Espanha, estabelecendo lá seu próprio califado em nome dos omíadas. Esta dinastia manteve o controle da Espanha por 300 anos, até que os bérberes almorávidas, vindos do norte da África, tomassem o poder no século XI.

Esta casa omíada independente se intitulava Emirado, ao invés de califado, uma vez que seus governantes não acreditavam que pudesse haver mais de um califa. Esta foi a primeira instância regional de separação do califado abássida em Bagdá. Os abássidas fizeram inúmeras tentativas para retomar o controle da Espanha mas não conseguiram. A Espanha permaneceu sob o governo de dinastias locais até a completa rendição aos reis católicos, no final do século XV.

O governo omíada na Espanha marcou profundamente a cultura espanhola – um legado de arte, arquitetura, língua e tradições que permanecem até hoje. Abdul Rahman transformou Córdoba em um centro de referência, a ponto de ela se tornar uma das mais importantes cidades da Europa e do mundo islâmico da época.

A Grande Mesquita foi construída por ele em 785 e é um dos exemplos mais impressionantes do legado islâmico na Espanha.De 756 a 929, oito emires se sucederam, numa época brilhante do ponto de vista cultural, até que Abdul Rahman III decidiu fundar um califado, declarando-se o Emir al-Muminin (príncipe dos crentes), e se outorgando, além do poder temporal, o espiritual, sobre a ummah (comunidade muçulmana).

Este califa, e seu sucessor, al-Hakam II, soube favorecer a integração étnico-cultural entre os bérberes, árabes, hispânicos e judeus. Ambos pactuaram com os cristãos, construíram e ampliaram numerosos edifícios, alguns tão notáveis como a Mesquita de Córdoba – e se cercaram do que havia de mais erudito na época. Mantiveram contatos comerciais com Bagdá, França, Túnis, Marrocos, Bizâncio, Itália e até a Alemanha.

Emires de Córdoba (756–929):
Abdul Rahman I (Abdul Rahman I) – 756–788
Hisham I – 788–796
al-Hakam I – 796–822
Abdul Rahman II (Abdul Rahman II) – 822–852
Mohammad I – 852–886
Al-Mundhir – 886–888
Abdallah ibn Mohammad – 888–912
Abdul Rahman III (Abdul Rahman III) – 912–929 (se declarou “califa”)