Início Cotidiano A Espanha Muçulmana – PARTE I – O Legado Muçulmano na Espanha

A Espanha Muçulmana – PARTE I – O Legado Muçulmano na Espanha

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Mesquita de Córdoba situa-se em Córdoba, na Andaluzia, Espanha. Data do século X, quando a cidade de Córdoba atingiu seu apogeu, sob o governo do emir Abdulrahman III, um dos maiores governantes da história islâmica
Quando se pensa na cultura europeia uma das primeiras coisas que podem vir à mente é a renascença.  Muitas das raízes da cultura europeia podem ser traçadas a partir daquele tempo glorioso de arte, ciência, comércio e arquitetura.  Mas você sabia que muito antes da renascença havia um lugar de beleza humanística na Espanha muçulmana?
Não somente era artística, científica e comercial, mas também exibia tolerância, imaginação e poesia incríveis.  Os muçulmanos habitaram a Espanha por quase 800 anos.  Foi sua civilização que iluminou a Europa e a tirou da idade das trevas para introduzi-la na renascença.  Muitas das suas influências culturais e intelectuais continuam vivas conosco hoje.
Al-Andaluz, foi o nome dado à península Ibérica pelos árabes muçulmanos, a partir do ano de 711 (século VIII), tendo o nome sido utilizado para se referir à península, independentemente do território politicamente controlado pelos muçulmanos. A origem do nome Al-Andaluz é incerta, o nome fez a sua primeira aparição em 716, num dinar bilíngue cunhado na Península Ibérica e que se encontra hoje em dia no Museu Arqueológico Nacional em Madrid. Nessa moeda a palavra Span(ia), em latim, corresponde a Al-Andaluz, em árabe.
A região ocidental da península era denominada Gharb Al-Andaluz (“o ocidente do Al-Andaluz”) e incluía o atual território português. De uma maneira geral, o Gharb Al-Andaluz foi uma região periférica em relação à vida econômica, social e cultural do Al-Andaluz.
As circunstâncias que marcaram a chegada dos muçulmanos à Península Ibérica, foram deturpadas pelas lendas, quando o rei visigodo Vitiza morreu, os seus seguidores nomearam seu filho Agila, de dez anos de idade, herdeiro do trono, mas os mais conservadores, elegerem por sua vez como rei, a Rodrigo, duque da Bética, o que deu origem a uma guerra civil.
O irmão de Vitiza, o conde Oppas, refugiou-se em Ceuta, governada pelo Conde Julião, possivelmente seu parente, e ambos resolveram pedir ajuda aos muçulmanos para consolidarem no trono de Toledo o jovem Ágila.
Em Abril de 711, Tarik Ibn Ziyad, governador de Tânger e comandante de Mussa Ibn Nusayr (698-714), desembarca à frente dos seus homens no monte que em sua honra se passará a chamar Jabal Tariq (Gibraltar), e derrota o rei Rodrigo na batalha do rio Guadarranque, entre a torre de Cartagena e Gibraltar, segundo algumas versões, a batalha dá-se junto ao rio Guadalete.
A vitória árabe sobre Rodrigo vai derrubar toda a organização central de defesa do estado visigodo, e em vez de uma simples intervenção estrangeira num confronto civil, como pretendiam Oppas e Julião, os muçulmanos iniciam uma conquista em toda a linha, acabando em poucos anos com a escassa resistência apresentada pelos antigos senhores. Toledo perde o seu título de capital do império, que passaria para Córdoba, e a Espanha passará a designar-se Al Andaluz.
Os árabes, ao conquistarem a Península não foram influenciados pelo cultura local, continuaram mantendo suas raízes, seguiram sendo muçulmanos, regendo-se pelas leis do Alcorão e pelos ensinamentos do profeta Muhammad ﷺ.
A religião dos povo era-lhes indiferente, mas não houve perseguições nem conversões forçadas. A tolerância do estado islâmico permitiu a sobrevivência das raízes clássicas e cristãs durante vários séculos. A chegada dos árabes muçulmanos foi saudada pelos judeus, que tinham sido perseguidos nas últimas décadas do reino visigodo.
As determinações de sucessivos concílios da Igreja peninsular tinham contribuído para a discriminação deste segmento populacional: o III Concílio de Toledo determinou o batismo forçado de crianças filhas de casamentos entre judeus e cristãos; o XVI proibiu os judeus de praticarem o comércio com cristãos, o que provocou a ruína de muitas famílias, e o XVII condenou-os à escravatura sob o pretexto de conspirarem, junto com os judeus do norte de África, para a queda do reino visigodo.
O geógrafo árabe Ibn Haukal Annassibi, ao visitar a Andaluzia, referiu-se à região nos seguintes termos: “Andaluz é uma ilha extensa, medindo um pouco menos de um mês de marcha, de comprimento, e vinte e tantos dias de largura.
É rica em rios e mananciais, é repleta de árvores e plantas de todo feitio e é suprida com tudo que acrescente conforto à vida; os escravos são gentis e podem ser encontrados por um preço acessível por conta de sua grande quantidade; a comida é excessivamente farta e barata, devido também à fertilidade da terra, que rende toda a espécie de grãos, vegetais e frutas, assim como à quantidade e qualidade de suas pastagens, nas quais inúmeros rebanhos pastam…”
E Ibn Abd Al-Munin em um texto do final do século XIII) disse:  “O país do Andaluz é, como dissemos, de forma triangular. O mar rodeia-o pelos seus três lados: ao sul, o Mediterrâneo; a ocidente, o oceano Atlântico; ao norte, o mar dos Ingleses, que se contam entre os cristãos. O comprimento do Andaluz, desde a igreja do Corvo (Cabo de S. Vicente), que está situada no Atlântico, até ao monte chamado Templo de Vénus (Port Vendres), é de 1100 milhas. A sua largura é de 600 milhas.”
Distinguem-se os seguintes períodos na história política do al-Andaluz:
Período da conquista territorial e dos governadores, durante o qual o al-Andaluz dependia do califado Omíada de Damasco (711–756)
Emirado de Córdoba (756–929)
Califado de Córdoba (929–1031)
Primeiro período de Reinos de Taifas (1031–1090)
Período almorávida (1090–1146)
Segundo período de Reinos de Taifas (1145–1150)
Período Almóada (1146–1228)
Terceiro período de Reinos de Taifas (1228–1262)
Reino Nasrida de Granada (1238–1492)